ANOTAR! APONTAR! APAGAR! [10 itens em 10 minutos] Maria Moreira

September 10, 2019

ANOTAR! APONTAR! APAGAR! ............................................ [ 10 itens em 10 minutos ] Maria Moreira

 

• uma ótima exposição — apresenta um novo patamar não na produção mas na coreografia da recepção;

 

• duas linhagens divergentes de trabalho criando um espaço de recepção esquiso uma vontade maquínica de precisão minimalista [desenhos instalativos, ocupação dos cantos ]  versus um fascínio aderido ao mundo como infinito e excesso [formas transbordantes, massa caótica]

 

• na exposição atual  a vontade maquínica dos desenhos instalativos encontrou um território comum com a vertigem pela acumulação e o transbordamento e este patamar de encontro foi nomeado “meio certo”;

 

• o “meio-certo” rompe a lógica binária do ouisto ouaquilo — a multiplicidade do mundo cessa de estar em oposição a si mesma;

 

• o “meio-certo” difere também do  e , pois noeo horizonte do evento esta sempre avançando ao depois — isto e aquilo e aquilo outro e outro mais — a multiplicidade do mundo é deixada como distensão infinita, indiferenciada e indiferente às nossas indagações, imune à intenções de recortes circunstanciais;

 

• na manobra “meio-certo” o que ocorre é a ocupação de um tempo e um espaço pela matéria que se fez presente ali, naquele quando, sem ceder à oposição do oue sem a ansiedade por outras presenças do e;

 

• o “meio-certo” é uma negociação de presenças num lugar — aqui, desenhos com viés maquínico + pequenas acumulações e rastros de gestos —  e como na configuração do próprio signo do “meio-certo”, onde pouco importa se primeiro se riscou o traço e depois a letra c ou se foi vice-versa, ou se a inclinação do traço e o ponto de cruzamento variam de versão em versão —, aqui, no espaço expositivo existe uma permeabilidade de opções, um respiro entre possíveis  no modo como os lápis se juntam em decorrência do andar dos visitantes, por exemplo;

 

• esta capacidade do formato do trabalho em respirar pequenas alterações sem se deixar escapar do estado de presença é quase como uma afirmação de autonomia frente à sua criadora — Suely refaz o caminho do apagamento da borracha de vez em quando e o trabalho persiste em sua integridade porosa antes e depois dos rearranjos — isto fala de uma robustez alcançada pelo trabalho;

 

• a robustez da negociação, em tempo real, com múltiplas variáveis mesmo as insuspeitas — um procedimento de acolhimento, de deixar ser , que é a manobra essencial da poética de Suely  como arte-vida — acolher, deixar ser ;

 

• nesta exposição isto ocorre em tantos níveis: no convívio entre procedimentos; na lucidez em nomear um conceito adequado ao formatar de um convívio — o “meio-certo”; no espaço onde a exposição se dá — um espaço regido por artistas, espaço que também acolhe e deixa ser; e principalmente no momento histórico em que o evento ocorre, tão necessitados que estamos de acolher e deixar ser!

 

2018 EXPOSIÇÃO NO ESPAÇO ALI.NA.ALICE

WISHES TO SUELY - TEXTO DE PAULA TERRA - NEALE

August 13, 2019

Farhi' s work follows on the tendencies of Brazilian contemporary art that mix a sharp concrete art language with a critical and experimental approach to art brought up initially by neoconcretism in the 60s and a conceptual political twist from the 1970s. A postconceptual work imbued of a strong existential ethos. A serious critic of the art market and the status quo with a radical approach to cultural and political issues, Farhi is a Brazilian, architect and artist, female and Jewish, who is permanently challenging the rules and roles that have been assigned to us within the realms of life and art. She has a solid and mature work that deserves further exposure and opportunities. It has been a honour and a pleasure to work with her in the last couple of years.

APONTAR! ANOTAR! APAGAR!

April 07, 2018

texto e curadoria de Leo Ayres sobre a exposição realizada no espaço ALI.NA.ALICE

VESTINDO CORPOS

A

 

Vestindo Corpos,

 

Performance de Suely Farhi e Aimberê Cesar

Fotografia de Mauricio Ruiz

Centro da cidade do Rio. Cinelândia,1997

 

Nem só de neo-concretismo vive o homem. Homenagem a Lygia Pape.

 

B

 

Homem sanduíche. Homem vitrine de si. Pedaços de corpos no mercado de trabalho.

 

 

 

Cabeça  Mão  Pé Sexo Olho Dedo Cabelo Nariz Boca Cabelo Cu Unha Dentes Vísceras Sêmen

 

 

corpo modelado, protegido, encapsulado, tratado, retratado, contratado, abstrato.

 

C

 

Dois corpos vestidos de pedaços de corpos no espaço.          COR e PO

 

O corpo único, na leitura, é o corpo de vários sentidos. A cada posição o corpo é outro,

D

 

COR PO’r dentro

COR PO’r fora

COR PO’r memória

 

COR PO palavra, reescrita, aqui, neste texto, que está em todas as revistas impressas desta edição. E em todas as redes possíveis.

Como tantos corpos o corpo incorpora?

 

texto;

Aimberê César

Maurício Ruiz

Suely Farhi

SALTITANTES

Uma das maiores preocupações estéticas atuais é exatamente o espaço e seu não-estabelecimento. O espaço que gradativamente se dissolve para conseguir tangenciar sua própria constituição como elemento formal, como ente. Suely Farhi é um exemplo claro de artista que atravessa o espaço para investigar tudo que existe em seu entorno, sem deixar que estas questões sufoquem a realidade plástica que provoca. Seu lugar é o lugar em trânsito. Lugar desértico que, por sua vastidão e por sua inteligência, avalia o vácuo da presença mesma para redescobrir o ritmo e a alegria própria daquilo que reverbera em consistência e dança.
O objeto escolhido é o prego e suas marcas, permeadas de dúvidas certeiras, como um lastro, como pegadas que se desvelam para que indiquem possibilidades outras de orientação, de traço, de impressão fundamental da expressividade humana diante do exercício infindável de conhecimento e desconhecimento de si mesmo.
Os pregos não sustentam nada para além de sua concretude, embora tenham clara consciência de suportarem o mundo que os mantém ali, em exibição sem representação. Sem drama, sem exageros e sem angústias (pós?)-modernas. Optando pela simplicidade singular da existência métrica em pluralidade, repleta de pulso em partitura visual, para fazer-se som(n) em elegância, despertando o público de um sono longínquo. 
E então, em acordes, percebemos a subjetividade presente em todo objeto, bem como a objetividade inerente ao sujeito que nos transborda como legado histórico. Enquanto a artista sorri sinfônica, para que juntos, possamos então avistar o tal horizonte perdido de uma linguagem até então nebulosa. 

Alexandre Sá
Agosto de 2004

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